Como funciona a solicitação de visto no Consulado Chinês em São Paulo

Como funciona a solicitação de visto no Consulado Chinês em São Paulo

Para entender tudo sobre a nossa experiência no consulado Chinês em São Paulo você precisa ler o post Como tirar o visto para a China – O Manual Prático. Neste novo artigo nós vamos contar um pouco mais sobre os perrengues de fazer tudo sozinho, sem o auxílio de uma empresa de turismo especializada.

Tudo começou quando decidimos que queríamos ir para a China para visitar a feira de Canton – uma das maiores feiras do mundo e que tem tudo o que você puder imaginar. Para se ter uma ideia a feira ocupa um pavilhão de 10km2 e possui 3 fases. Ou seja, no total dá para visitar 30 km2 de feira.

Para ir para a China começamos pelo básico: o país exige visto? Sim? Então vamos entender o que precisa reunir para fazer esta solicitação. Assim acompanhamos os preços e achamos uma passagem em promoção, reunimos contratos sociais, cartas convites, reservas de hotéis, roteiros de passeios, fotos, etc…

Nessa preparação, como já explicado no outro post, vimos que, para quem mora em Curitiba, seria necessário mandar a documentação via despachante ou entregar pessoalmente. Além disso, o consulado explicou que, dependendo do caso, uma entrevista pessoal poderia ser solicitada.

Nosso planejamento de viagem para a China previa 2 entradas na China (demoramos muito para entender que Hong Kong e Macau não seriam considerados “China” e que para visitar estes territórios seria necessário sair do país e depois retornar para continuar a jornada). Só que todas as pessoas que conversávamos sobre isso diziam “o consulado não libera vistos com múltiplas entradas na primeira solicitação de visto”. Sim, novamente você leu certo. Para conseguir entrar e sair da China várias vezes em uma mesma viagem você precisa ter tido um visto anterior e já ter entrado no país. A esperança de conhecer Hong Kong estava se esvaecendo. E todo mundo dizia que Hong Kong seria a melhor parte da viagem…

Além de conhecer a feira, nós queremos fazer turismo. Para tanto, antecipamos um pouco a chegada na feira e a saída. O problema é que este planejamento resultou em uma viagem de mais de 30 dias pelo país, o que para eles é um problema para quem visita o país pela primeira vez. Como ninguém nunca nos explicou nada sobre isso tivemos que aprender a resolver isso na prática.

Como foi a viagem para solicitar o visto da China

Cerca de 30 dias antes da viagem para China decidimos solicitar o visto. Todos os documentos necessários estavam em mãos e o convite para a feira tinha saído (finalmente). Decidimos ir para São Paulo entregar pessoalmente a documentação para tentar pedir ao consulado a liberação das duas entradas.

Reservamos o Hotel Ibis Budget Jardins que fica a menos de 3 quadras do consulado. Assim, poderíamos ir andando e chegar cedo para entrar por primeiro e tentar evitar tanta fila já que o atendimento é feito por ordem de chegada apenas entre 9:00 e 12:00.

Chegamos ao Hotel Ibis por volta de meia noite. Acabamos saindo tarde de Curitiba e pegamos um trânsito pesado no caminho. Estávamos cansados e sonolentos. Ao tentar retirar as nossas chaves na recepção fomos informados de que teríamos que ser deslocados para outro hotel da rede com padrão superior pois nosso quarto não estava disponível. A justificativa que nos deram foi que houve um vazamento em um cano e isso inundou metade de um andar, impossibilitando o uso de muitos quartos. O problema é que nós selecionamos o hotel apenas pela localização, e ser enviada para a Zona Norte realmente não estava no meu plano. Depois de quase 1 hora de conversa e explicação eles “acharam” um quarto para nós no próprio hotel. Fomos realmente dormir depois das duas da manhã.

Aqui vale ressaltar as características do Hotel Ibis Budget Jardins: ele é um antigo Hotel Fórmula 1 que foi reformado. O problema é que os quartos são os mesmos do formato Fórmula 1 só que com cores mais bonitas e uma nova roupa de cama. Ficamos em um quarto Kinder Ovo com um beliche no qual a porta da área de banho era de vidro jateado. Só que este jateado permitia ver tudo o que estava acontecendo dentro da área de banho… e, para piorar, bem na frente da área de banho havia um grande espelho. Ou seja, em 3 pessoas, privacidade “0”. Tivemos que fazer rodízio no quarto para que na manhã seguinte todos pudessem tomar banho com o mínimo de dignidade… Não entendo por que alguém planeja um quarto desse jeito e deixa uma porta de vidro que não fecha direito e pela qual dá para ver o que a pessoa está lavando e como esta lavando na parte de dentro… Já o café da manhã no hotel custa R$ 11,00 por pessoa e vale a pena se considerarmos preços e padrões de São Paulo.

Pouco antes das 9:00 da manhã estávamos a caminho do consulado. No caminho passamos pela casa do Chiquinho Scarpa (que fica praticamente ao lado do prédio) e quase paramos para perguntar como estava o Bentley dele J.

Em frente ao consulado da China já se formava uma fila de umas 10 pessoas. (E eu pensando que seríamos os primeiros a chegar kkk). Na portaria do consulado chinês só entra um por vez. Agarre a sua documentação, tenha seu passaporte em mãos e sorria! A cada 2 minutos acende uma luz verde e você entra para passar pelo detector de metais sendo orientado por uma voz masculina super simpática.

Do outro lado você volta para a fila e espera pelo atendimento que é feito para brasileiros por uma única pessoa que fala português. Se for retirada de vistos ou tratamento com cidadão chinês o atendimento é mais rápido. Se é para entregar e verificar documentos saia de casa com uma boa dose de paciência e sapatos confortáveis… nós ficamos quase 3 horas em pé.

Finalmente chegando no guichê cumprimentei a atendente e expliquei o nosso caso. Estávamos ali em três pessoas e tínhamos a documentação de mais duas. Precisávamos todos de duas entradas e gostaríamos de visitar as 3 fases da feira, mesmo sabendo que eles normalmente só permitem uma entrada na primeira solicitação de visto. A atendente pediu para ver a passagem e perguntou se tínhamos a carta convite, mas começou a insistir que a feira não durava tanto tempo como estávamos pedindo. Para demonstrar que sabíamos o que estávamos fazendo fiz questão de explicar que a feira teria três fases e que nós, como empresários, gostaríamos de ver alguns dias de cada uma delas. Também expliquei que a feira tinha intervalos para troca de expositores e que, enquanto isso, aproveitaríamos para visitar outras cidades da China, e se possível, de Hong Kong e Macau.

A contra gosto a atendente estava disposta a liberar as 2 entradas, contanto que cada uma não ultrapassasse 15 dias, sendo 30 no total. Ela sugeriu também que nós trocássemos as datas das passagens. Com jeitinho falei que isso seria complicado e que implicaria em custos de remarcação de voos e hotéis. Nessa hora ela ligou para um ramal interno e começou a falar em Chinês… Consegui entender que ela pediu a liberação com 3 dias a mais e que foi aceito, mas só tive a confirmação com o canhoto de papel rosa na mão.

Ela não viu os comprovantes de renda, nem os contratos sociais das empresas, nem as reservas de hotéis, mas encrencou com a edição da feira na documentação da Francine e, pediu um novo documento que indicasse que a edição que participaríamos seria a 115. Eram 10 da manhã e tivemos que voltar ao hotel para imprimir um novo papel. Para ganhar tempo eu fui para a fila do lado de fora do consulado para guardar lugar. Lá comecei a fazer amizade com os despachantes e eles começaram a me dar dicas sobre como funcionam as coisas do consulado.

Resumão das dicas dos despachantes:

  • Perto das épocas de feiras importantes na China formam-se filas as 6:30 da manhã em frente ao consulado. Não deixe para pedir o seu visto na última hora;
  • Organize seus documentos e não vá ao consulado sem itens importantes como a passagem aérea, o roteiro de viagem e a ficha devidamente preenchida. Eles não vão liberar o visto sem isso;
  • Planeje sua viagem com apenas uma entrada na sua primeira visita a China. Além disso, nesta entrada única, fique menos do que 20 dias. É mais fácil pegar o visto;
  • Não esqueça que para pegar os vistos você também fica na fila. Ocasionalmente aparece alguém para acelerar a fila, mas não é de praxe;
  • O horário de atendimento é só as 9:00 às 12:00. Chegue cedo para tentar sair de lá o mais cedo possível.

Quando o Fernando e a Francine voltaram tivemos que ficar na fila interna do consulado por mais tempo do que da primeira vez. Nosso atendimento só foi feito as 11:30 e ninguém nos ajudou só porque tínhamos que trocar um mísero documento. Ficamos temerosos que a atendente mudasse de ideia e não liberasse as mesmas condições que foram feitas para os primeiros pedidos de vistos, mas tudo ocorreu bem. Ela aceitou tudo e gerou um novo canhoto rosa para pagamento, agora para os 5 vistos.

O canhoto deve ser apresentado no banco, ser pago, e apenas levado ao consulado na retirada do passaporte com o visto.

 

Florence

Sobre Florence

Adoro viajar. Sério!

2 comentários para «Como funciona a solicitação de visto no Consulado Chinês em São Paulo»

  1. luiz antonio antonini disse:

    Srs.
    Favor informar-me quais os documentos necessários para requer visto para China.

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